
Imagina que entras num consultório médico e sais de lá com uma certeza absoluta: restam-te exatamente dois anos de vida. Não há tratamentos, não há milagres, não há apelos. O relógio começou a contar decrescentemente. Diante de ti, tens apenas setecentos e trinta dias antes do fim inevitável.
Perante este cenário, qual seria a tua reação imediata? Que escolhas farias com o pouco tempo que te resta neste planeta? Olhando para a tua rotina atual , para as tuas preocupações diárias e para a forma como gastas as tuas horas, quantas das tuas atividades resistiriam a este filtro de mortalidade? A verdade é que a maioria dos homens consome a vida como se o tempo fosse um recurso infinito, adiando a grandeza para um futuro que pode nunca chegar .
O Desmoronamento das Ilusões Quotidianas
Se soubesses que o teu fim estava próximo, continuarias a acordar cedo para passar duas horas no trânsito a caminho de um emprego que toleras apenas para pagar o crédito à habitação? Continuarias a queimar os teus serões a olhar para o ecrã da televisão, a comer comida processada e a afogar as tuas frustrações no sofá à espera que o fim de semana chegue? Terias a audácia de continuar preocupado em comprar o último modelo de telemóvel para impressionar pessoas que nem sequer respeitas?
A perspetiva da morte destrói instantaneamente as distrações modernas. Tu não passarias mais um segundo a atualizar perfis em redes sociais ou a perder noites em jogos virtuais. Aquela timidez ou o medo de abordar uma mulher incrível na rua desapareceriam por completo, porque a rejeição deixa de ter peso quando o tempo urge. Deixarias de acumular tralha e de contrair dívidas desnecessárias para manteres uma aparência de sucesso perante os vizinhos. O supérfluo evapora-se ; resta apenas o que é essencial.
A Urgência do Agora e o Valor do Piscar de Olhos
A grande tragédia do homem moderno é que ele precisa de uma tragédia fictícia para acordar. Substitui os dois anos por vinte, ou por quarenta. Qual é a diferença real? Na escala do universo, a tua existência não passa de um breve piscar de olhos. Se não farias o que estás a fazer hoje sabendo que vais morrer daqui a dois anos, por que razão continuas a desperdiçar os teus dias atuais sabendo que vais morrer daqui a umas décadas? O desfecho é rigorosamente o mesmo .
Viver com a consciência da mortalidade não significa abandonar as tuas responsabilidades de forma irresponsável, mas sim parar de aceitar a escravatura moderna como o teu destino natural. Significa ter a coragem de largar o que te prende à mediocridade, começar aquele negócio que tens na gaveta, procurar o confronto com o desconhecido e viver com uma intensidade inabalável. O tempo está a esgotar-se a cada segundo que passas a ler este texto. Certifica-te de que o teu percurso nesta terra deixa uma marca profunda e que, quando o teu relógio parar, não restará espaço para o arrependimento.
Pela Vontade Suprema,
Carlos Coelho
Só Para os Que Executam.
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