Viagem de carro

Não interessa para onde vais; o que conta é a experiência da jornada, não o destino final. Escolhe um ponto no mapa onde nunca tenhas estado, mete as mãos no volante e segue nessa direção.

Se vires uma estrada secundária que te chame a atenção, vira. Se vires uma aldeia perdida no interior ou uma praia deserta , para. Explora. Se planeares cada minuto da viagem, se reservares todos os hotéis com semanas de antecedência, destróis toda a energia e espontaneidade da aventura. Define apenas um par de diretrizes soltas e permite-te viver uma experiência inesquecível .

Há uns meses, ao sair do ginásio com aquela descarga de endorfinas e euforia que um treino brutal sempre deixa, liguei a um amigo: “Vamos fazer uma viagem de carro.” Ele perguntou: “Quando?”. Eu disse: “Amanhã à tarde.” Ele respondeu: “Bora”.

Ele convidou o irmão e no dia seguinte, por volta das 14h, estávamos a meter o pé na estrada. Decidimos cruzar a mítica Estrada Nacional 2 de uma ponta à outra, mas sem pressas, cortando pelo interior profundo para ver as paisagens e as serras. Na primeira noite, acabámos numa residencial de beira de estrada perdida perto de Castro Daire. No dia seguinte, acordámos cedo, explorámos a zona e seguimos viagem em direção ao Norte.

Tu podes ficar sentado no sofá a tentar adivinhar o que está lá fora… ou podes meter umas roupas numa mochila, agarrar numa geleira com água e comida, entrar no carro e começar a conduzir.

Nessa mesma viagem, decidimos mudar de rumo e apontar agulhas para o Gerês. Depois de rodarmos à procura de um sítio para ficar nas aldeias de pedra, encontrámos um quarto antigo que mal tinha espaço para as malas (e a porta da casa de banho nem sequer trancava!). Saímos, jantámos uma posta transmontana de respeito num restaurante local, conversámos com gentes da terra e com outros viajantes. De madrugada, fomos caminhar pela serra e mergulhámos numa cascata gelada no meio do silêncio da noite.

No dia seguinte descemos até à Costa Vicentina, o nosso novo destino improvisado. Conduzimos pelas falésias com vista para o Atlântico e tenho de dizer que é uma visão avassaladora. Alugámos um jipe antigo para explorar os trilhos de terra batida, parámos em praias onde não estava uma única alma e divertimo-nos à grande. Fizemos tanta coisa de forma espontânea que nunca teria acontecido se tivéssemos ficado em casa a ver televisão . No regresso, parámos para comer peixe fresco na costa algarvia, acampámos junto à praia e voltámos para casa ao fim de 9 dias.

Foi uma aventura brutal. Custou algum dinheiro, mas tínhamos margem.

Se o dinheiro for um problema para ti, leva uma tenda e acampa. Dormir sob as estrelas no meio do Parque Nacional ou no cimo de uma falésia no Alentejo é mil vezes mais espartano e recompensador do que ficar num resort de luxo piroso em Vilamoura.

Para ti, que estás a ler isto, só tenho duas perguntas:

  • Onde é que sempre quiseste ir em Portugal?
  • Quando é que vais partir?

No momento em que decidires ir, avança rápido. Não deixes a excitação morrer, porque se deixares a rotina e as desculpas absorverem o plano, tu já não vais .

Toma a decisão e arranca. Vive uma aventura sem guiões.

Pela Vontade Suprema,

Carlos Coelho

Só Para os Que Executam.

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